UM CONFLITO DE MAIS DE 120 ANOS

18 03 2009

A capoeira sobreviveu em meio ao preconceito e hoje ganha o mundo

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A Capoeira é uma arte que, de fato, nasceu no Brasil. Características de danças africanas são inegáveis, afinal, foi por eles que o esporte foi desenvolvido quando serviam de escravos neste país. Os floreios são alegorias, danças que os capoeiristas-escravos procediam em suas horas de descanso, mas essa dança ritmada por música diferente ocultava o treino previdente de uma luta muito perigosa que usavam para se defender de seus senhores. Treinavam em matos rasteiros, vulgarmente chamados de capoeira, daí a origem do nome. Outra explicação para a origem é que “O nome ‘capoeira’ tem origem no Tupi-Guarani, prova de que é um esporte genuinamente brasileiro” – argumenta mestre Grilo, professor de capoeira.

Por séculos essa luta disfarçada em dança foi marginalizada. Vítima de preconceito até quando a escravidão foi abolida em 1888, a capoeira permanecia relegada apenas a negros e pobres. Hoje em dia este preconceito está sendo vencido. A capoeira se encontra em escolas e clubes de todas as classes sociais. Crianças, jovens, adultos, negros, pardos ou europeus: a dança tem inúmeros seguidores dentro e fora do país.

O grupo Tribo do Cerrado, do professor Grilo e que segue a linha da baiana Capoeira Regional, tem 15 anos de existência no Brasil, mais de 200 membros e já ganha espaço no exterior – com representantes na Alemanha, Israel e Canadá. No DF, o grupo tem 80 alunos carentes da Comunidade Areal que treinam na praça do DI em Taguatinga Norte.

Dentre as habilidades desenvolvidas por quem pratica o esporte estão os saltos mortais, equilíbrio sobre cotovelos e joelhos, ginástica acrobática e muita concentração. Principalmente quando se trata do treino de maculelê extensão da capoeira onde se luta e dança com bastões e facões. Professor Grilo recomenda a prática do esporte três vezes por semana, “assim o corpo se exercita num dia e descansa no outro”, ressalta.

As músicas do gênero têm letras fortes e são culturalmente ricas. Estão sempre conectadas a uma expressão emotiva, abordam valores culturais e diversos fatos históricos. Reforçam muitas vezes o preconceito racial e contra as mulheres. Falam de desigualdade social, de lembranças, e claro, das fascinantes rodas de capoeira. 

 

 Por Isabella Renault


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