SEQUESTRO RELÂMPAGO, COMO CONVIVER COM UM PROBLEMA SOCIAL TÃO GRAVE?

18 03 2009

charge_sequestro_relampago1

 

          A população está aterrorizada com a crescente onda de insegurança que pairou sobre a cidade. A violência se mantém viva nas manchetes, avançando de forma rápida e utilizando estratégias cada vez mais criativas.

           De forma assustadora, o dolo conhecido como sequestro relâmpago cresce dia após dia coletando vítimas e atualizando estatísticas. A falta de cuidado da população, devido àquela velha crença, de que nada acontecerá, facilita a ação dos sequestradores.

            Buscar alternativas para escapar ileso é um objetivo cada vez mais complicado, até em razão das ocorrências que se multiplicam exponencialmente, afinal, o número de bandidos que escapam do rigor da lei e continuam praticando tal crime, é maior que o de prisões efetuadas. Confira ao final da matéria algumas dicas da cartilha dedicada à prevenção ao sequestro relâmpago preparada pela Polícia Militar do Distrito Federal.

             Em um período de 03 dias (27/02 a 01/03), o impressionante número de 5 sequestros relâmpagos foram detectados pelas autoridades, no Distrito Federal; na maioria das vezes cometidos em estacionamentos, locais de pouca iluminação e segurança. Tais crimes aconteceram tanto em áreas de lazer, Terraço Shopping, Píer 21 e Gilberto Salomão, como em áreas residenciais da Asa Norte e Guará I.

           Segundo informações da Polícia Civil do Distrito Federal, as vítimas geralmente são escolhidas por um observador que mantém contato visual, próximo aos locais de utilização de cartões, cheques e dinheiro.  A partir dessa escolha, o criminoso age de forma concreta e eficiente, acionando um comparsa para praticarem o delito. Geralmente andam armados e, por isso, não existe uma escolha baseada em sexo e sim na oportunidade.

            Para entender um pouco da mecânica do sequestro relâmpago, entrevistamos o Dr. Álvaro Júnior, psicólogo do Instituto Médico Legal de Brasília. Segundo os estudos do psicólogo “Essa modalidade teve um aumento significativo a partir do ano de 1999, embora haja relatos sobre o mesmo em anos anteriores.”.

crime11

Entrevista:

Qual o perfil social e psicológico do sequestrador?

            Devido à falta de identificação dos autores na maioria das ocorrências, os dados das pesquisas permitiram concluir tratar-se de indivíduos jovens, a maioria do sexo masculino (99%), de pouca escolaridade, com dificuldade de acesso às informações e aos bens de consumo da sociedade moderna.

As vítimas desse tipo de crime geralmente sofrem com qual tipo de dano psicológico?

Vítimas deste tipo de crime passam a sofrer do chamado Transtorno de Estresse Pós-Traumático, cujos sintomas podem ser agrupados em três grandes grupos:

1) Revivência do evento traumático (recordações aflitivas e recorrentes entre outros);

2) Evitação dos estímulos associados ao trauma e Embotamento da afetividade; e

3) Aumento da excitabilidade (irritabilidade, dificuldade em conciliar o sono, entre outros).

 Em quais condições se está mais propenso a ser sequestrado? É possível evitá-lo?

            De acordo com a pesquisa, o estacionamento é o local de maior ocorrência de abordagem e arrebatamento das vítimas (59,04%). A pesquisa também aponta que é baixo o número de ocorrência em que a quantidade de vítimas é superior a dois.

Que comportamento você aconselha durante um sequestro relâmpago?

Manutenção da calma, atenção aos comandos dados pelos perpetradores e evitar qualquer tipo de confronto direto.

O sequestro relâmpago é para usufruto como o assalto à mão armada, por exemplo, ou serve de propósito para outras associações como a do crime organizado?

O crime de sequestro relâmpago permite aos seus praticantes o usufruto de valores monetários alheios. Não há pesquisa que aponte o destino do dinheiro sacado para o crime organizado.

Durante seu estudo, quais foram os fatos mais curiosos e interessantes que o senhor descobriu?

O fato de que 90% dos crimes são cometidos tendo a participação de arma de fogo, mas 91% das vítimas saem ilesas, sem nenhum tipo de ferimento físico. Alguns trechos da cartilha da Polícia Civil dedicada à prevenção do sequestro relâmpago:

A intenção dos criminosos é roubar dinheiro, cheques, automóvel, cartões de crédito e bancários. Veja algumas situações propícias citadas na cartilha que facilitam a execução deste tipo penal:

1) Em locais com pequena movimentação de carros e pessoas, onde a comunicação às autoridades policiais fica comprometida, facilitando a ação dos marginais.

2) Chegada e saída à residências, principalmente se for pouco movimentado ou mal iluminado.

3) Semáforos são atrativos, pois os veículos da primeira fila estão livres de obstáculos, facilitando assim a fuga.

 Como evitar:

1) Procure andar acompanhado, evitando lugares desertos ou mal iluminados que possam facilitar a ação criminosa. Desconfie também de pessoas que se aproximem, principalmente à noite, para pedirem informações.

2) Quando sair de um banco, verifique se está sendo seguido ou se há pessoas suspeitas próximas ao seu veículo.

3) Ao se aproximar de seu carro tenha as chaves à mão para facilitar o acesso ao veículo.

4) Ao chegar à casa, não estacione de imediato. Observe as laterais e esquinas próximas ao imóvel e só então pare. Não reaja a qualquer tipo de crime. Normalmente o marginal não atua sozinho.

5) A sua atitude, durante o período em que permanecer como refém, poderá significar a razão de estar vivo ao final do sequestro. Após algum tempo o sequestrador fica mais consciente de suas emoções e de sua situação.

6) Conte ao sequestrador sobre eventuais necessidades de medicamentos ou doenças que possua.

7) Em caso de ação policial, deite-se no chão e leve as mãos à cabeça e não faça nenhum gesto abrupto. Não reaja se for revistado ou algemado. Siga as instruções da polícia. Assim que possível, informe a sua situação.

           Como nada é absoluto, mesmo que sejam observadas as regras e dicas de prevenção, seguindo-as minuciosamente ao pé da letra, evitar se tornar uma vítima de sequestro relâmpago depende também de fatores como a sorte. As estatísticas preocupantes apenas endossam que todo mundo precisa de um bom anjo da guarda. 

 

Por Cristiano Porfírio

  


Actions

Information

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s




%d bloggers like this: